Minas terrestres do exército de Mianmar ao longo da fronteira com Bangladesh representam ameaça mortal para os Rohingyas que tentam fugir do país.

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Forças armadas de Mianmar instalaram minas terrestres antipessoais banidas internacionalmente ao longo de sua fronteira com Bangladesh, ferindo seriamente pelo menos três civis, incluindo duas crianças, e matando um homem, de acordo com a Anistia Internacional.

Com base em entrevistas de testemunhas e nas análises feitas por seus próprios especialistas em armamento, a Anistia Internacional documentou o que parece ser um uso de minas terrestres direcionado à uma estreita faixa de um território parte da fronteira noroeste do estado de Rakhine, de onde as Nações Unidas estimam que 270 mil pessoas tenham fugido devido a uma grande operação militar que ocorreu na última quinzena. Algumas das minas foram encontradas perto de Taung Let Wal, parte do estado de Rakhine, que faz fronteira com Bangladesh. A população local abandonou o lugar por um campo de refugiados dentro de Bangladesh, mas ainda são realizadas frequentes idas até a fronteira em busca de suprimentos e para ajudar outros a cruzarem até Bangladesh.

“Essa é outra baixa na situação já horrível de Rakhine. O uso insensível de armamentos indiscriminados e mortais em percursos altamente movimentados ao redor da fronteira está colocando as vidas de civis em enorme risco.” diz Tirana Hassan, diretora de Respostas às Crises da Anistia Internacional, que se encontra atualmente na fronteira entre Mianmar e Bangladesh. Segundo Hassan, o exército de Mianmar é um dos poucos exércitos ao redor do mundo, junto com Coréia do Norte e Síria, a usar abertamente minas terrestres antipessoais.

Pelo menos uma das minas usadas aparenta ser do tipo PMN-1, desenvolvida para mutilar e o faz indiscriminadamente, de acordo com a análise de imagens feita pelos especialistas da Anistia Internacional.

Em um relatório publicado em julho deste ano, a Anistia Internacional registrou que tanto o exército de Mianmar quanto os grupos étnicos armados nos estados de Kachin e de Shan instalaram minas antipessoais ou dispositivos explosivos improvisados que mataram e mutilaram civis, incluindo crianças.

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Uma das muitas imagens encontradas pela Anistia Internacional, mostra mina terrestre enterrada próxima a fronteira. © Private

Apoio militar internacional

O governo da Austrália está fornecendo treinamento para o exército de Mianmar, enquanto a Rússia e Israel estão entre os países que oferecem armas a esses militares. Enquanto as Nações Unidas mantêm um embargo de armas em Mianmar, houve, recentemente, algumas ações por alguns Estados Membros para fornecerem outras formas de apoio, incluindo treinamento.

“Os governos que continuam a treinar ou vender armamentos para o exército de Mianmar estão apoiando uma força que está carregando uma cruel campanha de violência contra os rohingyas que conduz a crimes contra a humanidade. Isso deve parar, e quaisquer outros Estados que estão pensando em um envolvimento similar deve mudar de ideia imediatamente”, disse Tirana Hassan.

A secretária de negócios estrangeiros de Bangladesh, Shahidul Haque, confirmou para a agência de notícias Reuters que a cidade de Daca lançou uma denúncia formal à Mianmar por plantar minas terrestres pela fronteira dos dois países.

“As autoridades de Mianmar devem parar de emitirem negações generalizadas. Todas as evidências sugerem que as suas próprias forças de segurança estão plantando minas terrestres que, além de serem ilegais, estão mutilando cidadãos comuns”;

“O que se está revelando pode ser descrito como uma limpeza étnica, focalizando nos rohingyas por suas etnias e religião. Em termos legais, esses são crimes contra a humanidade que incluem assassinato e deportação ou transferência forçada de população”, disse Tirana Hassan.

Fonte: Anistia Internacional