ICAN recebe o Prêmio de Nobel da Paz

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A ICAN (Campanha Internacional pela Abolição de Armas Nucleares) foi laureada, nesta sexta-feira (6), com o prêmio Nobel da paz 2017. Esta entidade, sediada em Genebra, é uma coalizão formada por centenas organizações não-governamentais de todo o mundo. O prêmio foi concedido em reconhecimento ao importante papel que a ICAN teve na concepção do Tratado de Proibição de Armas Nucleares, aberto para assinaturas no mês passado.

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Beatrice Fihn, diretora-executiva da ICAN

O Tratado de Proibição de Armas Nucleares foi uma conquista do insistente trabalho da ICAN, que trabalhou incessantemente através de ativismo nacional e internacional, juntamente com diferentes entes governamentais e não-governamentais, motivo este que culminou no prêmio Nobel da Paz para a ICAN.
Segundo Cristian Wittmann, ativista da ICAN no Brasil, este prêmio tem uma importância histórica, pois consolidou um novo paradigma na esfera internacional onde zela-se, sobretudo, pela pessoa humana, e não por suas armas. Wittmann acredita que esta concepção está bastante evidente a partir do momento em que a ICAN consegue, através de um esforço coletivo dentre a coalizão de diversas representações do grupo pelo mundo, e também de outras entidades não-governamentais, sensibilizar a comunidade internacional a ponto de haver a implementação de um tratado juridicamente vinculante que proíbe e torna ilegal as armas nucleares, após 70 anos da explosão atômica de Hiroshima. “Essa conquista não é só nossa, é de todos nós que trabalhamos de alguma maneira para reforçar a segurança internacional sobre os critérios de paz, e não de guerra”, conclui Wittmann.
Berit Reiss-Andersen, advogada que liderou o Comitê do Nobel, aponta que isto foi decidido como reconhecimento de que a ICAN trabalhou em chamar atenção às consequências humanitárias catastróficas do uso de qualquer arma nuclear. Para ela, esta premiação é importante porque “vivemos em um mundo onde o risco do uso de armas nucleares é maior do que nunca”. “Alguns Estados estão modernizando seus arsenais nucleares, e existe um perigo real de que mais países tentarão desenvolver essas armas, como exemplificado pela Coréia do Norte”.
A diretora executiva da ICAN, Beatrice Fihn, explica que a ICAN é formada por mais 468 organizações em mais de 100 países, que consiste em organizações de paz, humanitárias, e até de meio-ambiente. “Fomos criados em 2007, muito inspirados por outro vencedor do Prêmio Nobel da Paz: a Campanha Internacional para a Eliminação Minas Terrestres, então nos preocupávamos em fazer uma grande pressão para proibir armas nucleares”, diz Fihn.
“O Tratado serve para que seja difícil justificar as armas nucleares, e para que seja desconfortável para os Estados continuarem com este status quo; para pressioná-los. É evidente que isso não vai acontecer de um dia para o outro, mas é um grande impulso para todas as pessoas que trabalharam nessa questão há muito tempo”; “As novas gerações que estão se mobilizando nesta questão através de nossa campanha ou até mesmo de outras: é um grande sinal de que isso vale a pena de se trabalhar; é um trabalho que é necessário e é reconhecido”, completa.
Para Fihn, “armas nucleares são ilegais. A ameaça do uso de armas nucleares é ilegal. Ter, possuir e desenvolver armas nucleares é ilegal, e isso precisa parar”.
A DHESARME é uma organização não-governamental membro da ICAN que apoia esta organização na busca para promover os objetivos do desarmamento, e auxilia as atividades da ICAN no Brasil e na América Latina. A DHESARME parabeniza a ICAN e a todos os envolvidos por esta conquista, e apoia a causa de um mundo sem armas nucleares.

Fontes: ICAN e Reuters