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Tratado Internacional pelo Banimento das Armas Nucleares adotado nas Nações Unidas: papel dos líderes religiosos.

 

No dia 7 de julho, a Religions for Peace (RfP) se juntou a mais de 120 Estados Membros das Nações Unidas, parlamentares, prefeitos e organizações da sociedade civil global ao celebrar a adoção de um tratado juridicamente vinculante para proibir as armas nucleares, possivelmente levando-as à sua total eliminação. O preâmbulo do Tratado frisa o papel dos líderes religiosos em aumentar a consciência da população em relação aos princípios humanitários.

O Dr. William F. Vendley, Secretário Geral da RfP International, aplaudiu a adoção do Tratado. Ele disse que “os imperativos morais contra o uso ou posse de armas nucleares surgem das profundezas da consciência humana. Armas nucleares, como armas de efeito indiscriminado e de destruição em massa, são intrinsecamente malignas. Assim, até mesmo o desenvolvimento e a posse de armas nucleares é moralmente perturbador. Hoje, o Tratado de Banimento Nuclear é uma declaração categoricamente normativa de que a posse, o uso e a ameaça do uso de armas nucleares é ilegal perante o direito internacional.”

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Líderes religiosos, parlamentares e prefeitos apresentaram conjuntamente uma declaração solicitando a abolição das armas nucleares ao Subsecretário Geral das Nações Unidas em Assuntos de Desarmamento, em 30 de Junho de 2017.

Em 30 de junho de 2017, enquanto Estados Membros das Nações Unidas negociavam o histórico Tratado de Banimento Nuclear, líderes religiosos, parlamentares e prefeitos apresentaram conjuntamente uma declaração solicitando a abolição das armas nucleares ao Subsecretário Geral das Nações Unidas em Assuntos de Desarmamento, o Sr. Izumi Nakamitsu. Durante a reunião, o Reverendo Kyoichi Sugino, Vice-Secretário Geral da RfP International, compartilhou o compromisso contínuo da RfP em educar, mobilizar e engajar as comunidades religiosas do mundo e discutiu com o Sr. Nakamitsu a “necessidade crítica de que os Estados possuidores de armas nucleares, os “guarda-chuvas nucleares” e aqueles que apoiam o tratado trabalhem juntos pela total eliminação das armas nucleares após a adoção do Tratado de Banimento Nuclear. ”

A Religions for Peace encontra força para fazer oposição às armas nucleares através de uma parceria estratégica e orientada para a ação entre líderes religiosos, parlamentares e prefeitos. Em agosto de 2015, a parceria entre Religions for Peace, Parliamentarians for Nuclear Non-Proliferation and Disarmament e Mayors for Peace produziu uma declaração conjunta chamada Um mundo livre de armas nucleares: nosso bem comum, em homenagem ao aniversário de 70 anos do bombardeio nuclear de Hiroshima e Nagasaki. A declaração convida os líderes mundiais a se comprometerem com a abolição nuclear e afirma a importância do ativismo de líderes religiosos, parlamentares e prefeitos especificamente nesta questão.

O Reverendo Kyoichi Sugino declarou que  “as armas nucleares apresentam uma ameaça existencial para a humanidade. O número de Estados que possuem armas nucleares continua crescendo. A possibilidade de terroristas desenvolverem ou adquirirem armas nucleares aumenta. A tecnologia designada a administrar essas armas não pode ser transformada em infalível e a posse dessas armas expõe a humanidade à acidentes potencialmente devastadores. A grande quantia de dinheiro gasta nessas armas substitui oportunidades de desenvolvimento genuíno. E um quadro de segurança que inclua a ameaça de aniquilar nossos vizinhos corrói nossa ética e impede nossos esforços de construir uma segurança humana cooperativa.”

Em agosto de 2016, a RfP convocou líderes religiosos, experts em desarmamento, representantes das Nações Unidas e líderes políticos na Universidade das Nações Unidas em Tokyo, para o vigésimo aniversário da Opinião Consultiva da Corte Internacional de Justiça. O juiz Christopher Weeramantry, Vice-Presidente da Campanha Internacional pela Abolição das Armas Nucleares, apresentou a Opinião Consultiva de 1996 e refletiu sobre a posição única da RfP na luta pelo desarmamento quando disse que “a atual noção de segurança é guiada por perspectivas de curto prazo que dominam nossas vidas em oposição aos depósitos de sabedoria contidos nas religiões do mundo.”

Já sobre a importância da juventude no desarmamento, a campanha Arms Down! da RfP – a primeira campanha global, liderada por jovens e multirreligiosa – coletou 21 milhões de assinaturas na petição focada em redirecionar gastos militares para financiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A RfP planeja continuar com o trabalho após a adoção do Tratado de Banimento Nuclear através da mobilização e do engajamento de suas redes em todos os níveis – desde seus líderes religiosos sênior até sua base, trabalhando em direção à abolição das armas nucleares.

A Religions for Peace defende a assinatura e a ratificação do tratado. O período para assinaturas abre em 20 de setembro de 2017 durante a Assembleia Geral. O Tratado entrará formalmente em vigor 90 dias após ser ratificado por 50 Estados. A RfP antecipa sua participação na Conferência de Alto Escalão sobre Desarmamento em 2018. Membros fundadores da RfP já falaram anteriormente em três Sessões Especiais das Nações Unidas sobre Desarmamento – em 1978, 1982 e em 1988.

Fortalecendo colaborações através de novas ou já existentes parcerias e desenvolvendo maior confiança e diálogo entre os países, a RfP acredita que esse é o momento de eliminar completamente as armas nucleares.

Fonte: Religions for Peace

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